quarta-feira, 1 de junho de 2016

Contra qualquer estupro

O direito do próximo de não ser violado deveria estar no topo de nossas considerações.
Se a mulher está num estado em que não pode expressar o seu assentimento, é porque ela não o deu.
Se a mulher está num estado em que não pode expressar o seu assentimento, é porque ela não o deu.

Por Alexandre Kawakami*

Há algumas semanas atrás eu escrevi sobre a necessidade de realizarmos o impeachment de algumas formas de discurso não só de nosso governo, mas também de nossos diálogos e de nosso pensamento. Na última semana, essa necessidade se manifestou mais uma vez, da forma mais evidente.

Existem problemas que são sérios, para todos, de forma unânime. Até para os criminosos que os cometem. O estupro é um deles. Sou pai de uma menina que será uma mulher muito em breve. Perco noites de sono imaginando o que faria se ela fosse vítima desse tipo de crime.

Para mim, como para qualquer pai, não existem perguntas sobre o consentimento. Ou ele é expresso e declarado em palavras, atos e sentimentos antes do início, durante e depois do fim do intercurso, ou ele não existe. Fim. Dizer que “ela estava pedindo”, “ela devia saber onde estava se metendo”, “ela não deveria ter bebido e/ou usado drogas”, “isso é resultado de um ambiente sexualizado demais”, e coisa que o valha é atitude de gente ignorante e inconsequente. Se a mulher está num estado em que não pode expressar o seu assentimento, é porque ela não o deu. Se eu dormir no assento do ônibus e alguém levar minha carteira, é roubo do mesmo jeito. E qualificado.

Vão dizer que eu não deveria dormir no ônibus. Eu direi que uma carteira é infinitamente e obviamente menos valiosa do que a dignidade, a integridade, a saúde mental e física de uma pessoa.

A discussão deveria endereçar fatos bastante objetivos como a forma de se localizar os bandidos; os métodos para identificar quem, de fato, cometeu o crime e a melhor maneira de prová-lo; as medidas a serem tomadas para que este crime não ocorra mais, neste caso em específico e de forma geral; como o princípio da sacralidade do corpo, da intimidade e da privacidade humanos, seja feminino ou masculino, deve ser refletido em nossa cultura, em nossa educação, em nossos pensamentos, palavras e ações. Do específico ao geral, em todos os níveis de nossa existência, o direito do próximo de não ser violado deveria estar no topo de nossas considerações.

Mas nesta semana, de tantas formas trágica, não foi isso o que se discutiu.

Primeiramente, veio o tsunami das acusações da “cultura do estupro”. A qual carrega em seu cerne a noção de que nossa cultura tem inerentemente a propensão de fazer da mulher propriedade, o que leva todo o homem a ser um violador em potencial.

Em seguida vieram as cargas de respostas sarcásticas e enfurecidas no desprezo à idéia de que todo o homem é estuprador e na convicção de que toda a feminista é uma feminazi.

E em reação, vieram os gritos escandalosos de que essas próprias respostas eram manifestação da cultura do estupro, uma vez que recusar a existência desta cultura era justificar as ações dos estupradores.

E depois vieram as acusações de que este caso era resultado de políticas paternalistas para com os criminosos propagadas pelos próprios defensores do conceito da “cultura do estupro”, políticas que garantiriam a impunidade destes criminosos de agora e a perpetuação do crime.

E teve mais latidos de cada lado, gente pendurando calcinha manchada de sangue na frente do Congresso de outro, rostos enojados e gritos de “Fora Temer”.    

E num instante, tínhamos nos jogado mais uma vez num tipo de discussão que é nojenta e infrutífera: quem é ao meu favor, e quem é contra mim. Discussão que a esquerda ruim, a esquerda do último governo, adora e de fato precisa. Um tipo de discussão que essa esquerda precisa consolidar e fazer existir, pois é a única modalidade de discurso que consegue manter sua inexistente relevância.

E os que não são desta esquerda, mais uma vez, gastaram seu tempo e seu fosfato engajando-se nesta pseudo “conversa”, como se um lado estivesse sequer fingindo ouvir o outro. Consequentemente, fez-se de tudo: só não se discutiu como levantar-se os fatos do caso, como prevenir que eventos semelhantes aconteçam, e como, verdadeiramente, eliminar algo tão hediondo como o estupro da vida de nossa nação.

Deixo a meus leitores as palavras muito pertinentes de Gandalf, o Cinza:

“Eu gostaria que isso não tivesse ocorrido na minha existência”, disse Frodo.

“Eu também”, disse Gandalf, “e assim também todos os que vivem para ver tempos como esses. Mas não nos cabe decidir sobre isso. Tudo o que temos de decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado”.

*Alexandre Kawakami é professor de Direito Empresarial e membro fundador do Centro de Compliance e Transparência da Escola de Direito Dom Helder Câmara. É mestre em Direito Econômico Internacional pela Universidade Nacional de Chiba, Japão. Agraciado com o Prêmio Friedrich Hayek de Ensaios da Mont Pelerin Society, em Tóquio, por pesquisa no tema Escolhas Públicas e Livre Comércio.

domtotal.com

Delação de filho de Machado causa apreensão

 domtotal.com
A cúpula do PMDB no Senado ficou apreensiva com a delação de Expedito Machado Neto.
O acordo dele tramita junto com o do pai.
O acordo dele tramita junto com o do pai.

A cúpula do PMDB no Senado ficou apreensiva com a informação de que Expedito Machado Neto, o Did, fez acordo de delação premiada. Pelo acordo firmado com o Ministério Público, será repatriada parte dos recursos relacionados ao esquema de corrupção da Petrobras.

Como o jornal O Estado de S. Paulo revelou nesta terça-feira (31), o filho do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado também firmou acordo de delação com o Ministério Público, acompanhando a decisão tomada pelo pai. Homologados pelo Ministério Público, os dois acordos tramitam conjuntamente. 

Contudo, as revelações feitas por Did causaram mais preocupação à cúpula do Senado do que os áudios gravados por Machado. Isso porque, segundo investigadores, Did seria operador de um fundo de investimentos no exterior abastecido com dinheiro de propina. Filho caçula de Sérgio Machado, Did mora em Londres.

Sem vínculo

Advogados de Did, Fernanda Tórtima e Antônio Pitombo disseram, por meio de nota, que ele "jamais teve vínculo com qualquer político, partido político ou funcionou como operador financeiro do PMDB e tampouco controla ou detém fundo de investimento na capital da Inglaterra".

Cerca de R$ 700 milhões teriam passado pelas contas do filho do ex-presidente Transpetro, segundo pessoas próximas à família. Apesar de apreensivos, integrantes da cúpula do PMDB já preparam a versão de que o dinheiro das contas de Did são exclusivamente de Machado. Os senadores avaliam que os dois não teriam como comprovar que os valores pertencem a políticos do partido. 

Agência Estado

Portugal: Cortes ao ensino privado ameaçam educação «aberta a todos»


Agência Ecclesia 31 de Maio de 2016, às 11:11       

Responsável da Associação das Escolas Católicas lamenta que critérios «ideológicos» coloquem em causa a liberdade de escolha das famílias

Lisboa, 31 mai 2016 (Ecclesia) – O secretário-geral da Associação Portuguesa das Escolas Católicas (APEC) diz que a intenção do Governo em terminar os contratos de associação com as escolas privadas coloca em causa uma educação que “deve ser aberta a todos”.

“Aquilo que os governantes têm dito é que quem quiser escolher que pague e isto não está correto. Então e os pobres, não têm direito a escolher? Como é que o Estado pode garantir essa liberdade se não cria condições para que todos tenham acesso a ela?”, questiona Jorge Cotovio, em declarações à Agência ECCLESIA.

Para o diretor pedagógico do Colégio Conciliar de Maria Imaculada, em Leiria, a política em curso tem por base critérios meramente “ideológicos” e esquece o contributo que as escolas privadas, nomeadamente as “católicas”, sempre deram ao país e às suas populações.

Ao mesmo tempo, segundo Jorge Cotovio, o Governo aponta o ensino privado como um ator “supletivo” do panorama educacional, quando essa condição já ficou para trás há muito.

Até 2013, a lei referia-se à celebração de contratos de associação como forma de “suprir as carências do ensino estatal”.

Mas a partir desse ano, realça Jorge Cotovio, as escolas com contrato de associação passaram a ser classificadas como parte integrante da “rede de oferta pública de ensino" e das "opções oferecidas às famílias, no âmbito da sua liberdade de escolha no ensino do seu educando”.

“E os governantes atuais esquecem-se precisamente disto”, lamenta aquele responsável, que em 2012 publicou o livro ‘O Ensino Privado nas Décadas de 50, 60 e 70 do Século XX - O Contributo das Escolas Católicas’.

Jorge Cotovio recorda que todo o ensino público que hoje existe teve “na sua raiz escolas privadas”, nomeadamente as ligadas à Igreja Católica.

Salienta ainda que a celebração de contratos de associação com as escolas privadas "foi sempre por iniciativa do Estado, por carência da escola pública".

“O Estado solicitou ajuda a estas escolas mas habilmente e estrategicamente, foi construindo escolas em sítios localizados junto de escolas com contratos de associação e requalificou outras escolas que estavam mais ou menos perto”, contrariando a “lei de bases do sistema educativo”.

Uma lei que “diz que as escolas particulares e cooperativas fazem parte integrante da rede escolar e devem ser tidas em conta por uma questão de racionalização dos dinheiros públicos”, aponta Jorge Cotovio.

JCP

Dia Mundial da Criança: Crianças da Síria pedem a todo o mundo que reze pela paz neste dia 1 de junho

Agência Ecclesia 01 de Junho de 2016, às 09:17     
AIS
AIS
Papa Francisco associou-se à iniciativa que vai ser assinalada em várias cidades do país

Cidade do Vaticano, 01 jun 2016 (Ecclesia) – O Papa Francisco associou-se à iniciativa de oração pela paz na Síria que decorre hoje, 1 de junho, Dia Mundial da Criança, tendo como protagonistas os mais novos.

“Na próxima quarta-feira, 1 de junho, por ocasião do Dia Internacional da Criança, as comunidades cristãs da Síria, tanto católicas como ortodoxas, viverão em conjunto uma oração especial pela paz que terá como protagonistas precisamente as crianças”, disse, na Praça de São Pedro, antes da recitação da oração do ângelus, no último domingo

Francisco realçou que “as crianças sírias convidam as crianças de todo o mundo a unir-se a elas na oração pela paz”.

O Dia Mundial da Criança vai ser assinalado na Síria com um conjunto de procissões pela paz no país, em guerra desde 2011, com iniciativas previstas nas cidades de Damasco, Alepo, Homs, Tartus e Marmarita.

A fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, quem tem acompanhado as comunidades católicas no terreno, informa em comunicado enviado à Agência ECCLESIA que “esta iniciativa inédita tem o apoio de todos os patriarcas da Síria” e “pretende ser replicada também em todo o mundo”.

A intenção é promover “uma grande oração pela paz lembrando as crianças que são, seguramente, das principais vítimas da guerra”.

A AIS convida escolas, paróquias e movimentos a unir-se a esta jornada de oração pela paz, “tendo presente o sofrimento dos filhos da Síria, causado por estes anos de conflito armado”.

O bispo de Lakatia, D. Antoine Chbeir, deixou votos, através da fundação pontifícia, “que outras crianças em redor do mundo sigam também o exemplo das crianças da Síria”.

Iniciada em 2011, a guerra civil na Síria já terá causado a morte a cerca de 470 mil pessoas, segundo dados do Centro Sírio para Pesquisa Política, a que se somam milhões de feridos, deslocados e refugiados, para além de elevados danos materiais.

OC

Media: Programa Ecclesia associou-se à campanha de oração pela paz com as crianças sírias

Agência Ecclesia 01 de Junho de 2016, às 10:40  
      
Hoje, alunos do Colégio São José rezam pela paz na RTP2 a partir 15h00

Lisboa, 01 jun 2016 (Ecclesia) – O programa de televisão Ecclesia, na RTP2, associou-se à campanha de oração pela paz na Síria que se realiza hoje Dia Mundial da Criança e ouviu a opinião de alunos do Colégio São José, no Restelo, sobre os refugiados.

No Dia Mundial da Criança tendo como protagonistas os mais novos a emissão do programa ECCLESIA na RTP2, a partir das 15h00, ouviu a opinião dos alunos do Colégio São José, no Restelo, após o visionamento do vídeo de Maryam Waleed.

A jovem refugiada iraquiana atualmente vive com a família numa caravana e conta que tem “saudades de casa” de onde teve de fugir em Qaraqosh.

Maryam Waleed faz parte dos 120 mil cristãos que fugiu do Iraque e com a ajuda da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, das irmãs dominicanas, e outras instituições sobrevive com a esperança de regressar a casa e revela que nas suas orações reza também pelo Autoproclamado Estado Islâmico – ISIS, “para que o amor mude os seus corações um dia”.

A aluna Joana Vieira considera que “é impossível sentir o que eles sentem” sem estar na mesma situação: “Acordar e não saber se estamos vivos no dia a seguir. Não saber se nos vamos despedir da nossa família, se vamos conseguir dizer um último adeus.”

A jovem estudante do Colégio São José considera essa forma de vida “horrível” e destaca que Maryam Waleed “é um exemplo” porque “reza” pelos que lhe fazem mal.

Já Miguel Rodrigues salienta a ajuda e o “sacrificar” de vida das irmãs Dominicanas que se doam aos outros para que tenham uma vida melhor e condena os “atos de terrorismo e outros crimes” do ISIS que se escondem na religião.

Outra opinião transmitida hoje no espaço da Igreja Católica, inserido no programa inter-religioso ‘A Fé dos Homens’ em emissão no serviço público de televisão, é por exemplo da estudante Francisca Fernandes que já tinha conhecimento da realidade dos migrantes mas até ver o vídeo acha que “nunca” tinham “pensado bem nisso”.

A aluna observa que estes vídeos são bons se ter “mesmo ideia do que está a acontecer, o que outros humanos fizeram” e o que se está “a ajudar para remediar”.

O Dia Mundial da Criança vai ser assinalado na Síria com um conjunto de procissões pela paz no país, em guerra desde 2011, com iniciativas previstas nas cidades de Damasco, Alepo, Homs, Tartus e Marmarita.

O Papa Francisco realçou que “as crianças sírias convidam as crianças de todo o mundo a unir-se a elas na oração pela paz”, na Praça de São Pedro, antes da recitação da oração do ângelus, no último domingo.

A fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, quem tem acompanhado as comunidades católicas no terreno, informa em comunicado enviado à Agência ECCLESIA que “esta iniciativa inédita tem o apoio de todos os patriarcas da Síria” e “pretende ser replicada também em todo o mundo”.

A AIS convida escolas, paróquias e movimentos a unir-se a esta jornada de oração pela paz, “tendo presente o sofrimento dos filhos da Síria, causado por estes anos de conflito armado”.

Iniciada em 2011, a guerra civil na Síria já terá causado a morte a cerca de 470 mil pessoas, segundo dados do Centro Sírio para Pesquisa Política, a que se somam milhões de feridos, deslocados e refugiados, para além de elevados danos materiais.

CB

Fiéis participam da 137ª Romaria de Caravaggio

Dom Alessandro Ruffinoni presidiu missa de abertura da celebração mariana
Milhares de fiéis participaram, diariamente, das festividades da 137ª Romaria a Caravaggio, na diocese de Caxias do Sul (RS), ocorrida de 26 a 29 de maio.  
Com o lema “Mãe de Misericórdia: vida, doçura e esperança nossa, salve! ”, o primeiro dia da Romaria no Santuário, em Farroupilha (RS), reuniu 150 mil pessoas na Serra Gaúcha. O bispo diocesano, dom Alessandro Ruffinoni, presidiu missa campal, concelebrada por diversos padres da região. 
“A devoção de Nossa Senhora de Caravaggio, por si só, é um momento bonito para todos devotos, tornando o dia votivo repleto de significado. Estamos alegres e satisfeitos, porque reunimos a família dos devotos. Que tudo isso possa ser abençoado e possa render muitos frutos de misericórdia”, pontuou o Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio, padre Gilnei Fronza.
No sábado, 28, aconteceu a 3ª Romaria da Juventude, com saída de Caxias do Sul. Os peregrinos participaram da peregrinação com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, que está visitando as 74 paróquias da diocese. A iniciativa integra o projeto Rota 300, com o lema “300 anos de bênçãos com a Mãe Aparecida, juventude em missão".
CNBB com informações e foto do Santuário de Caravaggio. 

Seminaristas do regional Oeste 1 da CNBB participam de Encontro Formativo

Evento reuniu cerca de 90 pessoas
O Serviço de Animação Vocacional (SAV) do regional Oeste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou encontro com todos os seminaristas diocesanos do Estado do Mato Grosso do Sul, no dia 11 de maio. Este foi o quarto encontro realizado pela Pastoral Vocacional e reuniu cerca de 90 pessoas.
Durante a reunião, os participantes compartilharam o trabalho vocacional desenvolvido pelas sete dioceses que compõem o regional e discutiram as atividades executadas pela Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB).
De acordo com o coordenador regional do SAV, padre Fabricio Pinheiro,  um dos objetivos do encontro foi tornar visível a presença da  Animação Vocacional, “não apenas no encaminhamento para a Casa de Formação, mas também durante o processo formativo nos seminários".
Na ocasião, os participantes também fizeram uma visita ao Seminário Maior Maria Mãe da Igreja, que está completando 39 anos de criação.
Estiveram presentes o bispo referencial do regional, dom Mariano Danecki; a representante da CRB, irmã Silvana Pauletti; reitores e formadores dos seminários diocesanos; o coordenador regional, padre Fabricio Pinheiro; coordenadores diocesanos do SAV; o diretor do Instituto de Teologia, padre José Adriano Stevanelli, e o secretário executivo do regional, irmão Sílvio da Silva.

Com informações do regional Oeste 1

Juventude: Comissão da CNBB organiza Caminho da Fé

Para a edição 2016, estão disponíveis 50 vagas para a peregrinação
Dentro da programação do “Projeto Rota 300”, a Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB prepara a edição 2016 do “Caminho da Fé”, que acontecerá de 1º a 11 de julho.
A peregrinação reunirá jovens de diversas partes do Brasil, que percorrerão o trajeto entre município de Águas da Prata até Aparecida, no interior de São Paulo. Os participantes irão fazer trilhas com cerca de 500 km. O caminho acontece, tradicionalmente, há 12 anos. O trajeto é inspirado no Caminho de Santiago de Compostela. 
Para o bispo de Caxias (MA) e presidente da Comissão para a Juventude da CNBB, dom Vilsom Basso, a proposta do “Caminho da Fé” é motivar os peregrinos no testemunho do amor e da solidariedade. 
“Sentimo-nos estimulados a continuar servindo. Desde a realização da Jornal Mundial da Juventude Rio 2013, no Brasil,  abriram várias perspectivas de evangelização. Agora buscamos estimular essas iniciativas, principalmente, no campo da missão. Queremos levar a juventude a falar de Jesus, a testemunhar o seu amor e fazer que essa mensagem chegue ao coração de muitos outros jovens”, comenta dom Vilson.
Para a edição 2016, as vagas para o Caminho da Fé são limitadas.  
Inscrições e outros detalhes sobre a atividade no site: www.jovensconectados.org.br 
CNBB com informações dos Jovens Conectados. 

Diocese de Marabá realiza Congresso Eucarístico

Evento reuniu centenas de pessoas
Com o tema “Eucaristia e partilha na Amazônia Missionária” e o lema “Eles o reconheceram no partir do pão”, a diocese de Marabá (PA) realizou o seu primeiro Congresso Eucarístico, no dia 29 de maio, no Ginásio da Folha. Participaram do evento centenas de pessoas, entre elas, padres, lideranças de comunidades, pastorais, movimentos e seminaristas.
Para o bispo de Marabá, dom Vital Corbellini, o Congresso representou “um momento de graça e de confraternização a Deus Uno e Trino”. De acordo com ele, o Congresso "reuniu a diocese de Marabá ao redor da eucaristia".
O Congresso começou com a acolhida feita pela coordenação de pastoral das 29 paróquias que compõem a diocese de Marabá. Logo após, ainda no período da manhã, ocorreram orações e reflexões acerca do tema e o lema do evento. No decorrer da tarde, também houve apresentações artísticas.
A missa de encerramento foi presidida por dom Vital e concelebrada por padres e diáconos da diocese. Na ocasião, o bispo enfatizou que a Igreja particular de Marabá passa por problemas sociais, urbanos e agrários, mas que, apesar disso, é uma Igreja missionária, que “vai em busca das pessoas, dos pobres e dos necessitados”.
Ao finalizar, dom Vital exortou para que a “eucaristia seja o centro e o ápice de todas as atividades organizadas na Igreja particular de Marabá, pertencente à região da Amazônia”. 
CNBB

Papa Francisco nomeia bispo para prelazia de Marajó (PA)

No mesmo ato, foi acolhido pedido de renúncia de dom José Luís Azcona Hermoso
O papa Francisco acolheu, nesta quarta-feira, 1º de junho, o pedido de renúncia apresentado pelo bispo da prelazia de Marajó (PA), dom José Luís Azcona Hermoso, OAR, de acordo com o cânon 401, parágrafo 1, do Código de Direito Canônico. No mesmo ato, o papa nomeou frei Evaristo Pascoal Spengler, OFM, como bispo da mesma prelazia. Atualmente, frei Evaristo atua como vice-ministro da Província Franciscana da Imaculada Conceição e como secretário do Secretariado da Evangelização. 
Frei Evaristo Spengler é natural de Gaspar (SC). Nasceu em 29 de março de 1959. Ingressou no Seminário Santo Antônio, em Agudos (SP), aos 17 anos. Cursou Filosofia e Teologia no Instituto Franciscano de Petrópolis (RJ). Possui especialização em Bíblia e pós-graduação em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum, em Jerusalém. 
Realizou a profissão solene na Ordem dos Frades Menores de 2 de agosto de 1982, na diocese de Petrópolis (RJ). Foi ordenado diácono em 21 de novembro de 1982 e presbítero, no dia 19 de maio de 1985.  
Na trajetória sacerdotal, atuou como pároco nas paróquias Sagrado Coração de Jesus, em Petrópolis (1983-1985); Nossa Senhora da Piedade, em Duque de Caxias (1985-1991); Nossa Senhora da Conceição, na diocese de Nova Iguaçu (1995-1996). No período de 2001 a 2010, esteve em missão na Angola. Foi presidente da Fundação Imaculada Mãe de Deus de Angola (2003-2006). Exerceu a função de vice-mestre de estudantes de Teologia (2013-2015) e Conselheiro da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil (2012-2015). 
CNBB

terça-feira, 31 de maio de 2016

VIRAL: A reação desta menina diante do ultrassom de sua irmã emociona as redes

LONDRES, 31 Mai. 16 / 06:00 pm (ACI).- A pequena Myla completará em breve 3 anos de idade e cativou milhares de pessoas com sua reação terna ao conhecer sua irmã não nascida graças ao ultrassom.
Carly Tansley, mãe de Myla, está grávida e mostrou à menina o vídeo do ultrassom ao que se submeteu quando tinha 16 semanas e 4 dias de gestação.
Quando soube que o vídeo mostrava a sua irmã ainda não nascida, Myla reagiu com lágrimas de alegria e abraçou a tela dizendo “amo a minha irmã pequena”. Seu pai sustenta que nunca esperou uma reação tão emotiva e “o amor que já tem pela sua irmã é incrível”.
A menina disse a sua mamãe que já “sente saudades” da sua irmã e a “ama muito”.
O vídeo foi reproduzido mais de 240 mil vezes no Facebook.
Carly, que vive em Notts (Inglaterra), guardará o vídeo e o mostrará às suas filhas especialmente quando tiverem as típicas brigas de irmãs.
A bebê nascerá no começo do mês de novembro e Myla quer que seus pais lhe ponham o nome de uma princesa. Decidiu que dará de presente suas bonecas e guarda algumas roupas para que a sua irmãzinha possa usar.

Bispo católico da Índia doará um rim a jovem hindu

Dom Jacob Muricken. Foto: Diocese de Palai.

ROMA, 31 Mai. 16 / 06:00 pm (ACI).- O Bispo Auxiliar da Diocese Siro-Malabar de Palai (Índia), Dom Jacob Muricken, no dia 1º de junho será submetido a uma operação para doar um de seus rins a um jovem hindu.

“Nossa Igreja e o Papa Francisco acreditam e apoiam verdadeiramente atos de doação de órgãos”, explicou Dom Muricken ao canal de televisão índio NDTV. “Acredito que esta deve ser uma forte mensagem para as pessoas ao meu redor, a fim de que se abram a doação de órgãos”, disse.

Sooraj, de 30 anos, receberá a doação do rim do Bispo indiano. O jovem perdeu o pai há quatro anos, que foi mordido por uma serpente, e seu irmão mais novo morreu de um ataque cardíaco.

Quando foi diagnosticado com o sério problema em seus rins, há quase um ano e meio, Sooraj era o único que sustentava economicamente sua mãe e sua esposa.

O Pe. Davis Chiramel, fundador da Federação do Rim na Índia, que coordenou a doação, assinalou que esta “é a primeira vez que um bispo doará seu rim a um homem hindu”.

Em declarações ao jornal ‘The New Indian Express’, o sacerdote destacou que este gesto acontecerá “no Ano da Misericórdia, seguindo o apelo do Papa Francisco de amar-nos uns aos outros sem a barreira da casta ou do credo”.

“O bispo também pediu a bênção do Papa por seu gesto”, indicou.

Sooraj assinalou que começou a fazer o tratamento para sua doença “somente quando a situação piorou, aproximadamente há um ano e meio”.

“Agora, fiquei sabendo que um bispo me doará o seu rim. Para mim, não é nada menos que a intervenção de Deus”, disse o jovem a NDTV.

O PLANO ECONÔMICO DO PMDB NÃO SERVE PARA NADA

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O governo Temer está muito mais perdido do que estava o governo Dilma. Diferentemente do golpe de 64, em que a direita tinha um programa e tinha intelectuais que forjavam propostas de longo prazo, agora não se tem isso; trata-se de algo imediatista e voltado para destruir o governo anterior, sem nenhuma proposta, avalia o economista Guilherme Delgado.
Por Patricia Fachin
“É difícil de analisar o que o governo está querendo” com as propostas anunciadas para a economia na semana passada, diz Guilherme Delgado à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por telefone. Por enquanto, as medidas “sinalizam mais uma reunião de marketing do que propriamente uma reunião de política econômica, porque não tem um ato normativo proposto ao Congresso, nem nota técnica que reflita ou explique essas decisões”, afirma.
Na avaliação do economista, dado o atual quadro de dois anos consecutivos de recessão na economia, e com uma “situação de desemprego aberto gravíssima”, que chega a “200 mil desligamentos formais por mês”, “a política de juros tem de ceder à necessidade de se dar alguns estímulos para recuperar a economia”.
crisepolitica2
Entre as alternativas que poderiam ser discutidas nessa conjuntura, Delgado chama a atenção para “algumas excrescências”, sobre as quais “reina absoluto silêncio”, entre eles, como explicar que “pessoas que pagam 27,5% sobre os salários se defrontem com titulares de rendimentos do capital que têm tributação zero num país que está carente de recursos dessa natureza. Temos de revisitar isso, como também é preciso revisitar o campo das faixas de tributação no imposto de renda, a gigantesca sonegação que alimenta a dívida ativa para com a União, para que se possa, no ajuste fiscal, criar o mínimo de justiça, porque ajuste fiscal não pode ser um nome fantasia”, adverte.

Outro ponto fundamental, menciona, é conter os juros da dívida pública. “Não vejo providências no sentido de reestruturar e reequacionar essa relação do sistema financeiro com o Estado. Esse parece um assunto interditado, que nem é discutido”. Para ele, alguma mudança tributária é necessária porque o déficit precisa ser solvido. Apesar de não considerar a CPMF a melhor alternativa tributária, Delgado afirma não ver “no horizonte como se poderia fazer qualquer outra coisa nova nesse campo abandonando os clássicos mecanismos mais simples de tributação que a CPMF contém, embora com distorções de outra natureza”.
O economista também defende um plebiscito para solicitar novas eleições gerais, e a discussão sobre a implantação do parlamentarismo. “Nas novas eleições, poderia se propor o parlamentarismo, onde a situação seria mais fácil de resolver. (...) O plebiscito poderia ser feito este ano para formalizar uma emenda constitucional e marcar as eleições para o ano que vem. Assim, o governo Temer se caracterizaria como um governo transitório, o governo Dilma se despediria, porque já acabou, e aí colocaríamos na população a responsabilidade de eleger novos representantes”.
Guilherme Delgado é doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. Trabalhou durante 31 anos no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea.
Confira a entrevista.
IHU On-Line - Como o senhor analisa o atual momento econômico e político do país após o afastamento da presidente Dilma?
Guilherme Delgado – O quadro de instabilidade política e econômica que havia antes do afastamento da Dilma não mudou, ou seja, não há estabilidade política nem econômica, até porque o campo das dificuldades é o mesmo — diria até que é maior, porque depois do afastamento dela se tem um quadro político-jurídico mais frouxo para se pensar a ordem institucional.

IHU On-Line – O governo interino de Temer anunciou que o déficit fiscal primário é de 170 bilhões e não de 96 bilhões, como apresentado no governo Dilma. Como analisa esses números?
Guilherme Delgado – No começo do governo Temer foi feita uma tratativa com estados e municípios no sentido de fazer uma renegociação da dívida, na qual houve mudanças de critérios e ingresso de recursos segundo a forma anterior. A grande diferença entre os números tem a ver com a renegociação das dívidas dos estados com a União, que todos acham muito bom, mas acontece que essa renegociação aumenta o tamanho do déficit primário. Portanto, não acho que a mudança no valor se deve a um cálculo errado, mas a formas novas de tratar a questão fiscal, que aumenta no curto prazo o tamanho do déficit primário.
É preciso deixar claro que se trata do déficit antes de considerar as despesas financeiras, porque o déficit nominal é muito maior. Considere-se um PIB em torno de 6,0 trilhões de reais. O déficit nominal é de 10 a 11% do PIB. Tem uma despesa financeira gigantesca, que é a rolagem do serviço da dívida, e essa é a parte principal do déficit brasileiro, portanto o déficit primário é apenas a ponta do iceberg.
"A crise conjuntural do orçamento e da política fiscal está sendo transformada em uma crise permanente"
IHU On-Line - Que avaliação geral faz do pacote econômico anunciado pelo governo Temer e por Henrique Meirelles?
Guilherme Delgado – As medidas anunciadas foram tomadas um dia depois da divulgação das gravações de Romero Jucá e, portanto, minha impressão foi a de que se tratou de lançar uma notícia diferente, positiva, de providências para desviar o assunto das gravações, porque, desde o anúncio das medidas econômicas, não saiu nenhum detalhamento de medidas normativas.
Fixação do gasto orçamentário segundo a inflação
A principal medida anunciada nesse pacote, que consiste na fixação de um limite correspondente à inflação anterior para o gasto orçamentário, nominalmente o gasto de saúde e educação, não deixa claro se a medida se refere somente a essas duas áreas ou não. Se for só em relação à saúde e à educação, tem de se revogar da Constituição uma meia dúzia de dispositivos que tratam dos percentuais de aplicação nessas áreas. Se a medida se aplica a outros setores, como a previdência, teria de estar especificado.
Como acabamos de ver, o iceberg é a despesa financeira, mas sob a despesa financeira não há limites e, portanto, essa medida anunciada é ineficiente para enfrentar o tamanho do problema que se tem. Se a medida limitar gastos com saúde e educação, isso significa que se colocará na Constituição um dispositivo para tratar de um assunto conjuntural, ou seja, a crise conjuntural do orçamento e da política fiscal está sendo transformada em uma crise permanente. É como se dissessem: não se põe um centavo a mais para construir novas escolas, hospitais, tratar de doentes, construir postos, porque não tem investimento. E mesmo as despesas correntes, de custeio, se passarem do limite da inflação, serão cortadas. Isso simplesmente paralisa a política social. Esse tipo de cogitação é incompatível com as necessidades do sistema público de saúde e educação. Pior ainda será se isso for estendido a outros setores, como o da previdência. Esse setor paga benefícios acumulados e se colocarem um limite nele, mesmo com emenda constitucional, seria uma emenda inconstitucional, porque vai ferir o direito adquirido dos aposentados e pensionistas.
É difícil de analisar o que o governo está querendo com essas propostas, porque na verdade elas sinalizam mais uma reunião de marketing do que propriamente uma reunião de política econômica, porque não tem um ato normativo proposto ao Congresso, nem nota técnica que reflita ou explique essas decisões. Apesar disso, a mídia repercute tudo sem cobrar mais detalhes, afirmando que é por aí mesmo.
Captura de recursos do BNDES
A outra medida anunciada, que consiste em capturar recursos do BNDES, é a clássica pedalada fiscal e foi por isso que, supostamente, a Dilma foi impedida. Ou seja, o BNDES tem um contrato com o Tesouro, isto é, o Tesouro empresta dinheiro ao BNDES, que por sua vez empresta a terceiros como capital de longo prazo, que retorna aos poucos. Contudo, o que o governo fez foi dizer que queria o dinheiro de volta, mas só se pode devolver o dinheiro nos prazos contratuais. O fundo do BNDES não é de disponibilidade do Tesouro; o que é de disponibilidade do Tesouro são os aportes de pagamento do BNDES. Ou seja, se o Tesouro empresta um valor X ao BNDES, o banco devolverá isso em dez ou quinze anos, que é o tempo de retorno do capital de empréstimo. Essa é uma medida mal explicada e dada como se fosse solução do déficit fiscal.
Outra medida é a diminuição do fundo soberano do pré-sal, mas essa e outras medidas não parecem indicar que exista algo estudado. Sente-se apenas a compulsão de apresentar um rol de medidas, com frases de efeitos, mas não se governa assim.
A outra medida que anunciarão para breve, em julho, é da reforma da previdência, com desvinculação de benefícios da previdência e idade única. No pacote, a reforma da previdência ainda é uma conjectura; não tem nada anunciado.
IHU On-Line – Se essas medidas não contribuem para enfrentar a crise nem para estancar o déficit fiscal, o que poderia ser feito na atual conjuntura de crise econômica? O senhor sempre fala da necessidade de baixar a taxa de juros. Vê perspectiva de que isso vai ocorrer?
Guilherme Delgado – Antes havia uma inflação de 10% e hoje o governo está trabalhando com uma inflação de 7%, o que significa que ela caiu três pontos percentuais. Então, alguma folga tem de se dar na política monetária, porque ela não pode ser absoluta, em relação a qual todas as demais políticas têm de ceder, até porque ela conduz o sistema para uma determinada direção que, no caso, não é desejável.
Estamos numa situação de desemprego aberto gravíssima, pior do que a do ano passado, que teve 1,5 milhão de desempregos formais; este ano a trajetória é maior. Portanto, a política de juros tem de ceder à necessidade de se dar alguns estímulos para recuperar a economia — esse é um caminho, mas por ele também não se tem um alívio do déficit nominal, que é o pior da história.
Do ponto de vista tributário, temos algumas excrescências funcionando e sobre as quais reina absoluto silêncio. Por exemplo, o sistema da seguridade social se alimenta da contribuição sobre o lucro líquido, mas as pessoas se esquecem de mencionar que desse lucro líquido são excluídos os dividendos, que têm tributação zero. Como se pode explicar que pessoas que pagam 27,5% sobre os salários se defrontem com titulares de rendimentos do capital que têm tributação zero num país que está carente de recursos dessa natureza.
Temos de revisitar isso, como também é preciso revisitar o campo das faixas de tributação no imposto de renda, a gigantesca sonegação que alimenta a dívida ativa para com a União, para que se possa, no ajuste fiscal, criar o mínimo de justiça, porque ajuste fiscal não pode ser um nome fantasia. Tem de haver alguma justiça tributária nesse processo para ter legitimidade para pedir a outros setores, que serão objeto de corte, a ideia de uma certa equanimidade e ao mesmo tempo uma equanimidade que aponta para proteger os setores que são mais débeis na cadeia social.
Por exemplo, não se pode cortar benefícios de salário-mínimo para pessoas que estão num patamar básico de sobrevivência, não se pode cortar o Bolsa Família nem tomar atitudes como a que o Ministro da Fazenda anunciou, de capturar o fundo de empréstimo do BNDES, porque é o fundo que financia investimentos. Se o próprio governo quer lançar um programa de concessões de obras públicas, elas precisam de financiamento e capital de longo prazo. Se não há possibilidade de dispor desse capital, eles vão recorrer a capitais muito mais caros, que tornam a concessão inviável.
Então, o que percebo nesse momento é que o governo Temer está muito mais perdido do que estava o governo Dilma, que já estava perdido. Diferentemente do golpe de 64, em que a direita tinha um programa e tinha intelectuais que forjavam propostas de longo prazo, agora não se tem isso; trata-se de algo imediatista e voltado para destruir o governo anterior, sem nenhuma proposta. O plano econômico do PMDB não serve para nada; é só marketing.
IHU On-Line – A que atribui essa falta de propostas?
Guilherme Delgado – Se a economia não voltar a crescer, e se não há uma trajetória interna e externa para relançar investimentos e não há o mínimo de articulação social e econômica de uma nova hegemonia, as crises econômica e política vão ladeira abaixo. A recessão brasileira não é comum; já está no segundo ano, a taxa de desemprego aberto está na faixa de 200 mil desligamentos formais por mês e a agenda do PMDB não aponta nenhum caminho no sentido de recuperar a economia.
Eu me sinto desconfortável em falar isso, porque não quero ver a situação ir ladeira abaixo, mas como o governo aposta no limite da inflação do ano anterior, ou na proibição do BNDES de fazer novos financiamentos, não sei o que tem pela frente a partir desse rol de restrições.
Por outro lado, no que se refere à evolução da dívida, não vejo providências no sentido de reestruturar e reequacionar essa relação do sistema financeiro com o Estado. Esse parece um assunto interditado, que nem é discutido. No ano passado tivemos um déficit nominal de 9,3% do PIB, sendo 9 pontos percentuais de despesa financeira e 0,3 de despesa fiscal, e mesmo assim não se discute o sistema financeiro. A despesa financeira é criada autonomamente pelo Banco Central, sem apreciação do Congresso, o que é uma excrescência, mas também não se discute isso.
O artigo 153 da Constituição – que, segundo as más línguas, o ministro Nelson Jobim teria dito que foi um dos dispositivos introduzidos na Constituição clandestinamente, sem votação - determina que o serviço da dívida pública é insuscetível de emenda pelo Congresso, portanto, é uma decisão do Banco Central. Isso é um absurdo do ponto de vista do Estado de direito e deveria ter sido mudado. O limite da dívida pública é, em todos os países, de competência do Congresso, que é a casa que tem a legitimidade de tratar de tributação e gastos.
IHU On-Line – Vislumbra mudanças no Banco Central com a escolha de Ilan Goldfajn?
Guilherme Delgado – Sobre os nomes escolhidos, a informação que tenho é a de que são nomes de preferência do mercado financeiro, que aposta na lógica do retorno privado dos capitais. Ao mesmo tempo, não vejo nos intelectuais orgânicos conservadores uma formulação de longo prazo, como havia em 1964.
O grupo político, econômico, parlamentar e midiático que promoveu a campanha de desestabilização do governo Dilma, como também do impeachment, foi muito eficiente e derrotou o governo com um golpe branco. Agora, esse mesmo grupo, para governar, não parece ter uma estratégia de médio prazo para sair do impasse político e econômico em que a própria presidente se meteu. E ela reconheceu, em entrevista à Carta Capital, que em 2015, ao apostar no ajuste da forma que fez, agravou terrivelmente a recessão e a perda de apoio político.
Agora, o plano B, que seria um projeto de reestruturação para tirar o país desse atoleiro, não tem absolutamente nenhuma evidência de que as medidas anunciadas na semana passada tenham possibilidade de apontar nessa direção. Pelo contrário, podem piorar o quadro de recessão para um quadro de depressão e aí a situação pode ficar ainda mais incontornável.
Sou bastante reticente a essas medidas de aprofundamento do ajuste fiscal nesse formato, na linha de redução significativa da presença do governo, com liberalidade financeira, na expectativa de que venha um governo salvador; não acredito nisso. O que vem é mais instabilidade com todas as mazelas associadas a tal.
IHU On-Line - Seria o caso de retomar a CPMF?
Guilherme Delgado – Alguma mudança tributária é necessária num ajuste fiscal real porque, de fato, existe um déficit primário que precisa ser solvido. A solução imediatista do governo Dilma era a recriação da CPMF, que foi excluída no governo Lula e fez falta nas contas sociais. Creio que ou a CPMF ou alguma outra mudança mais associada à justiça distributiva precisaria vir, porque não se faz, nessa conjuntura, uma política de reestruturação econômica piorando ainda mais o quadro distributivo, nem somente através de cortes, que agravam mais a recessão e a perda de receita tributária da União e não resolvem o problema.
Preferencialmente, não deveria ser a CPMF, mas não vejo no horizonte como se poderia fazer qualquer outra coisa nova nesse campo abandonando os clássicos mecanismos mais simples de tributação que a CPMF contém, embora com distorções de outra natureza. Mas precisa de algum tipo de tributação para sair desse impasse.
Por enquanto, a política do governo Temer ainda continua produzindo factoides e não sabemos exatamente o que é. Do ponto de vista político, sinto que o campo midiático começou a investir na desestabilização do Temer – não estou entendendo aonde querem chegar – e temos duas peças contraditórias no jogo: uma presidente em processo de impeachment, que não tem condições de governar mesmo que volte, e um vice-presidente que está cada vez mais se revelando um governante “ingovernante”. Precisamos sair disso e alguma responsabilidade política é necessária: talvez um plebiscito de eleições gerais que nos dê possibilidade de pensar para frente. Eu me sinto angustiado de analisar e não ver como vamos sair daqui para frente com as alternativas Dilma/Temer.
IHU On-Line – Por que novas eleições significariam uma saída? O que poderá surgir com novas eleições?
Guilherme Delgado – De imediato seria preciso um plebiscito para pedir permissão de fazer novas eleições gerais, para que no ano que vem ou no final deste ano se fizessem novas eleições. Mas se continuar do jeito que está, com denúncias da Lava Jato sobre o governo, não será possível governar. A ideia de desestabilização permanente, que está na judicialização e politização judiciária, precisa ser limitada, porque o processo precisa ser mais sério. Ao mesmo tempo não se sabe qual é o grau de veracidade e legitimidade do que está sendo divulgado. Temos de ter discernimento ético e político para sair desse padrão de instabilidade.
Nas novas eleições, poderia se propor o parlamentarismo, em que a situação seria mais fácil de resolver. Mas se falar em parlamentarismo com esse Congresso, as pessoas ficam com ódio. Então, para começar com uma nova etapa, precisaríamos de um novo Congresso eleito. Agora, o plebiscito poderia ser feito este ano para formalizar uma emenda constitucional e marcar as eleições para o ano que vem. Assim, o governo Temer se caracterizaria como um governo transitório, o governo Dilma se despediria, porque já acabou, e aí colocaríamos na população a responsabilidade de eleger novos representantes.
Estou conjecturando porque não consigo divisar uma alternativa de governo Temer até 2018 com esse grau de envolvimento do PMDB com as tratativas na Petrobras, com a impossibilidade do governo do PT de governar, e não podemos ficar sem solução mais dois anos, com a crise econômica se aprofundando; aí haverá um caldo para golpistas de toda natureza.
Fonte: IHU On-Line