terça-feira, 31 de maio de 2016

DELATOR, FILHO DE MACHADO PODE IMPLODIR TODO PMDB


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Gestor de recursos em Londres, Expedito Machado Neto era o operador financeiro do PMDB e decidiu fechar acordo de delação premiada na Lava Jato, assim como seu pai, Sergio Machado; de acordo com pessoas próximas ao caso, as cifras que serão devolvidas por Sergio Machado e seu filho seriam "surpreendentes"; delação já foi homologada pelo ministro Teori Zavascki e pode ser tão devastadora como a do pai, ex-presidente da Transpetro, que já derrubou dois ministros de Michel Temer: Romero Jucá, do Planejamento, e Fabiano Silveira, da Transparência.

247 - Apontado como um dos operadores financeiros do PMDB no Senado, o filho caçula do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, Expedito Machado, seguiu os passos do pai e também firmou um acordo de delação premiada com a Justiça no âmbito da Operação Lava Jato. Did, como é conhecido, é responsável por um fundo de investimento em Londres e teve sua delação homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki.

A delação premiada de Did pode ser tão devastadora como a do pai, cujos áudios gravados por ele junto a membros do PMDB e da cúpula do governo do presidente Interino Michel Temer levaram à queda de dois ministros em apenas 19 dias de gestão. Enquanto o Sérgio Machado mostrou as ligações da cúpula do PMDB em tirar a presidente afastada Dilma Rousseff do poder e em frear as investigações da Lava Jato, Expedito teria mostrado o caminho percorrido pelo dinheiro desviado de obras e contratos da Transpetro.

O acordo de delação premiada de Sérgio Machado e de Expedito teriam sido firmados após os investigadores terem rastreado operações financeiras ligadas ao grupo que acabaram chegando ao fundo de investimento controlado por Did.

O acordo prevê, ainda, a devolução dos recursos originários do esquema e que foram investidos no fundo controlado por Did. O valor total a ser repatriado, porém, ainda não foi devidamente quantificado, mas investigadores já adiantaram que os valores envolvidos são "surpreendentes".

As informações prestadas por Expedito são avaliadas como mais comprometedoras que os áudios gravados por seu pai e envolvem ainda mais o senador e ministro Romero Jucá (PMDB-RR) e o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP). Na semana passada, Jucá deixou Ministério do Planejamento após as gravações mostrarem que ele defendeu o impeachment da presidente Dilma como uma forma de "estancar a sangria" decorrente da Operação Lava Jato.

Nesta segunda-feira (30), foi a vez do ministro da Transparência, Fabiano Silveira, entregar o cargo após ao áudios mostrarem ele criticando a Lava Jato e orientando o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que também é investigado, sobre como se defender junto à Procuradoria Geral da República (PGR).

Filho de Sérgio Machado também faz delação

  domtotal.com
Pai gravou conversas com a cúpula do PMDB; filho mostrou caminho do dinheiro desviado.
Sérgio Machado e o filho irão devolver aos cofres públicos os recursos desvidaos.
Sérgio Machado e o filho irão devolver aos cofres públicos os recursos desviados.

O filho caçula do ex-presidente Transpetro Sérgio Machado também fez acordo de delação premiada. Expedito Machado Neto, conhecido como Did, resolveu colaborar com a Justiça após a Operação Lava Jato identificá-lo como operador financeiro da cúpula do PMDB do Senado. Morador de Londres, Did controla um fundo de investimento na capital da Inglaterra.

A delação premiada dele foi homologada pelo ministro Teori Zavascki, relator dos processos da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, juntamente com a do pai. Uma faz parte da outra. Enquanto Sérgio Machado gravou as conversas com a cúpula do PMDB no Senado para demonstrar proximidade com o grupo, Did apresentou o caminho do dinheiro desviado de obras e serviços da Transpetro.

No acordo firmado com o Ministério Público, ficou acertado que Did e seu pai irão devolver aos cofres públicos os recursos financeiros provenientes de corrupção investidos no fundo que ele controlava. O total do dinheiro a ser repatriado ainda será quantificado pelo MP. Segundo os investigadores, "os valores são surpreendentes".

Mais do que os áudios entregues por Sérgio Machado à Lava Jato, os depoimentos dele e os dados apresentados por seu filho comprometeriam o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP). Os três já tiveram conversas gravadas divulgadas.

Conforme o jornal O Estado de S. Paulo apurou, desde que surgiu a possibilidade de Machado fazer acordo de delação premiada, a maior preocupação da cúpula do PMDB era de que Did também colaborasse. Segundo um conhecedor do esquema, ele tinha como responsabilidade controlar o dinheiro do grupo. Em outras palavras, "o grande laranja" dos senadores peemedebistas.

Na semana passada, a Coluna do Estadão revelou que Sérgio Machado decidiu fazer a delação premiada depois que os investigadores rastrearam uma operação na Europa e se depararam com o herdeiro.

Demissões

Desde a semana passada, conversas gravadas por Machado já causaram a demissão de dois ministros. Então ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB-RR) pediu demissão depois que áudios mostraram que ele defendeu o impeachment da presidente Dilma Rousseff como uma forma de evitar que a Lava Jato avançasse.

Nessa segunda, foi a vez do ministro da Transparência, Fabiano Silveira, deixar o cargo. Ele pediu demissão depois de áudios gravados por Machado mostrarem que ele deu palpites sobre a defesa de Renan junto à Procuradoria-Geral da República.

O advogado de Expedito Machado Filho não quis falar com a reportagem. Até a conclusão desta edição, as assessorias de Renan, Jucá e Sarney não se manifestaram.

Justiça rejeita denúncia contra Val Marchiori

domtotal.com
Ela era acusada de crime do colarinho branco por fraude em financiamento de R$ 2,7 mi.
Rejeitada denúncia de colarinho branco contra socialite.
Rejeitada denúncia de colarinho branco contra socialite.

A Justiça Federal em São Paulo rejeitou denúncia contra a socialite Valdirene Aparecida de Marchiori, a Val Marchiori, acusada pela Procuradoria da República por crime do colarinho branco. Segundo a acusação, Marchiori em 2013 obteve, "de forma livre e consciente, mediante fraude", financiamento oriundo do Programa BNDES de Sustentação do Investimento (BNDES-PSI) em valor equivalente a R$ 2,79 milhões. 

Em sentença de oito páginas, porém, o juiz Silvio Luís Ferreira da Rocha, da 10ª Vara Federal Criminal, anotou que "não se pode admitir a propositura de ação penal desprovida dos pressupostos mínimos necessários". Silvio Rocha classificou de "atípica a conduta" atribuída à Marchiori e destacou a "ausência de justa causa".

O juiz também rejeitou denúncia contra outros dois acusados pelo Ministério Público Federal - um irmão de Marchiori, Adelino Marcos de Marchiori, e Alexandre de Melo Canizella, à época gerente geral do Banco do Brasil de uma agência na zona sul de São Paulo.

A Procuradoria acusou Marchiori de violação do artigo 19 da Lei 7492/86 - obter, mediante fraude, financiamento em instituição financeira; pena de reclusão de dois anos a seis anos e multa.

A denúncia relatava que no dia 18 de julho de 2013, Marchiori, na condição de administradora da empresa Torke Empreendimentos e Participações Ltda, formalizou Proposta de Abertura de Crédito - PAC -, junto ao Banco do Brasil, instituição credenciada no BNDES, com objetivo de obtenção de financiamento destinado à aquisição de 5 caminhões e 5 semirreboques (carroceria fechada).

A Procuradoria apontou "flagrante utilização de manobras, por parte da denunciada, as quais terminaram por macular por completo a sua conduta". "Considerado que não houve fraude, atípica a conduta imputada aos denunciados", decidiu o juiz federal. "Afigura-se, no caso, a situação de ausência de justa causa para a instauração da ação penal, isto é, de suporte probatório mínimo que deve lastrear toda e qualquer acusação penal."

Silvio Rocha argumentou, ainda, que "embora o tipo não exija a configuração de prejuízo, não houve qualquer abalo ao patrimônio da instituição (Banco do Brasil) ou ao próprio Sistema Financeiro Nacional".

Segundo o magistrado, "diversamente do que consta da exordial (denúncia) não é possível vislumbrar em que medida houve indução ao erro ou engodo, já que os fatos eram de conhecimento prévio da instituição financeira".

"Para que seja caracterizada a falsidade ideológica é imprescindível que a finalidade da declaração seja prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante, o que também não se vislumbra", assinalou o juiz federal.

A denúncia apontou a participação de Adelino Marcos de Marchiori irmão de Val, sócio administrador da empresa Veloz Empreendimentos Participações e Administração de Bens.

"Para que pudesse desempenhar as atividades de transporte de sua empresa, Adelino necessitava dos instrumentos adequados. Buscou informações acerca dos requisitos necessários à obtenção de financiamento junto ao BNDES, o qual viabilizaria a aquisição de cavalos mecânicos e carretas e, em consequência, o apropriado desenvolvimento das atividades da empresa Veloz."

Segundo a denúncia, Adelino procurou a irmã "e a induziu a obter através da empresa que administrava, Torke Empreendimentos, um financiamento destinado à aquisição de caminhões". A Procuradoria afirmava que foi Adelino quem "incutiu" em Marchiori a ideia de tomar o financiamento uma vez que a Torke reunia, em princípio, as condições necessárias à concessão do empréstimo junto ao BNDES.

Mas a Torke detinha objeto incompatível com a linha de crédito pretendida. Segundo a denúncia, o então gerente geral do Banco do Brasil, Alexandre Canizella, teve "fundamental participação na conduta criminosa desempenhada por Valdirene".

Canizella, segundo a Procuradoria, foi o responsável pelas tratativas iniciais com Val Marchiori acerca do financiamento pretendido. "Instigou a denunciada a prosseguir em seu intento criminoso, ao sugerir que procedesse à alteração do objeto social da empresa Torke, com a finalidade de adequá-la às exigências para a obtenção do financiamento junto ao BNDES".

O juiz da 10ª Vara Federal Criminal não entendeu assim. "Tem-se por fraude o ato de enganar, esconder, distorcer informações capazes de produzir resultados na maioria das vezes prejudicial a terceiros, no caso a própria instituição financeira. No caso específico, e como ressaltou o próprio órgão acusatório quando do oferecimento da denúncia, já era de conhecimento prévio da instituição financeira que Valdirene, por meio da empresa Torke, para favorecer a empresa Veloz, iria contrair o financiamento questionado nos autos. Não há que se falar em erro. A instituição financeira conhecia a situação."

Silvio Rocha destaca que "o contrato foi analisado pelos vários comitês responsáveis e considerado viável". Sobre a operação, anotou o juiz, "funcionários do banco foram indagados, os quais esclareceram que teria sido regular, cujas cautelas teriam sido observadas".

O juiz ponderou sobre o "papel indutor do Estado na formulação e execução de políticas públicas em áreas sociais". "Entre outros instrumentos à disposição do governo para a execução de políticas sociais encontra-se a concessão de financiamentos, a juros reduzidos, para incentivar e, por vezes, até mesmo possibilitar, o exercício de determinadas atividades, como a agropecuária, a indústria e o comércio, e a satisfação de determinadas carências, como na seara da habitação."

Silvio Rocha considera "normal" o governo disponibilizar recursos às instituições financeiras como as linhas de crédito do BNDES para a aquisição de máquinas e equipamentos industriais ou nos financiamentos concedidos pelas instituições financeiras oficiais para a aquisição de materiais de construção.

'Operação regular'

"Conforme se percebe pela leitura da decisão que rejeitou a denúncia do Ministério Público Federal, o Judiciário entendeu que Val Marchiori não praticou fraude alguma com relação ao empréstimo que a empresa Torke recebeu do Banco do Brasil. Essa operação, conforme ela mesma já havia demonstrado na investigação que serviu de base à denúncia, foi absolutamente regular e transparente", disse, em nota, o advogado André Boiani e Azevedo, defensor de Val Marchiori.

"Além disso, a celebração do contrato de financiamento colocado sob suspeita não causou prejuízo algum aos cofres públicos. Confirma-se, assim, o que Val vem afirmando desde a primeira vez em que foi questionada a respeito desse assunto: ela não cometeu irregularidades e estava certa de que o Judiciário reconheceria o equívoco da acusação", finaliza a nota.

Agência Estado

Europa: Cáritas recorda «pessoas que continuam a sofrer os efeitos da crise»

Agência Ecclesia 31 de Maio de 2016, às 12:43     
Foto: Caritas Europa
Foto: Caritas Europa
Conferência regional do organismo decorreu na localidade francesa de Lourdes

Lisboa, 31 mai 2016 (Ecclesia) – O presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, esteve na localidade francesa de Lourdes numa conferência regional da Cáritas Europa, que recordou as dificuldades económicas e sociais que ainda subsistem no Velho Continente.

Em declarações publicadas esta segunda-feira, o responsável pela Cáritas Europa, D. Luc Van Looy, realçou que “as pessoas na Europa continuam a sofrer os efeitos da crise financeira de 2008”.

“As medidas de austeridade levaram a uma diminuição do financiamento para os serviços sociais que são vitais para os mais vulneráveis entre nós”, apontou o bispo de Gent, na Bélgica.

Durante o evento, a Cáritas Europa sublinhou o seu “compromisso” para “com a promoção da autonomia dos mais pobres e vulneráveis”.

O organismo apontou para a necessidade de “criar espaços” onde os mais desfavorecidos “possam participar ativamente na conceção de atividades que os afetam diretamente”.

Só assim será possível a estas pessoas acederem a “uma vida verdadeiramente mais digna”, pode ler-se.

Em Lourdes foram também recordados “os migrantes e refugiados que nesta altura vivem situações difíceis”, sendo “os mais atingidos pela pobreza na Europa”.

A falta de solidariedade em lidar com a crise da migração é uma das principais preocupações da Caritas.

 Jorge Nuño Mayer, secretário-geral da Caritas Europa, salientou a importância dos países e governos europeus assumirem a responsabilidade de resolver o problema na sua raiz”.

“A Caritas contribui para essa responsabilidade através dos seus projetos de manutenção da paz e desenvolvimento junto de comunidades vulneráveis ??em todo o mundo", apontou aquele responsável.

A conferência em Lourdes, subordinada ao tema “Unidos em comunhão para uma maior solidariedade na Europa”, contou com a participação de mais de 300 delegados das 48 organizações que integram a Caritas Europa.

Serviu também para comemorar os 70 anos da Cáritas de França, conhecida como 'Secours Catholique'.

O presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, participou no evento acompanhado pelo secretário-geral do organismo, por uma delegação da Cáritas de Beja e dois utentes da organização católica.

Eugénio Fonseca deu os parabéns à Cáritas de França e enalteceu o esforço que todas as organizações católicas têm feito, no Velho Continente, no sentido de “levar a cabo medidas mais éticas que, no futuro, beneficiem os mais vulneráveis e contribuam de forma efetiva para o bem" de todas as pessoas.

JCP

Pergunte ao Papa: respostas virão em livro


Cidade do Vaticano (RV) – Após a conclusão do Congresso Mundial de Scholas Occurrentes, no domingo, a Fundação Pontifícia convida os jovens a escreverem suas perguntas ao Papa: a promessa é que as respostas de Francisco para as perguntas porventura selecionadas serão publicadas em um livro.

Biografia social

“Nascerá assim um verdadeiro ‘livro social’ que usa os novos meios de comunicação social para colocar o Papa em contato com as pessoas de qualquer lugar do planeta”, lê-se no site da iniciativa, onde é possível “escrever ao Papa”.

O projeto é realizado em parceria entre Scholas Occurrentes por meio de uma nova plataforma tecnológica e editorial.

Schola Occurrentes é uma Organizacao Internacional de Direito Pontifício criada pelo Papa e dedicada aos jovens. Promove a educação para a integração social e a cultura do encontro em prol da paz. 

(rb)

ONU sobe para 880 número de mortos no Mediterrâneo na última semana

Neste ano, 2.510 morreram tentando chegar ao território europeu.
No mesmo período do ano passado, foram 1.855 mortos, diz Acnur.

Da Agência Efe
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) elevou nesta terça-feira (31) para 880 o número de mortos nos naufrágios ocorridos na última semana no Mar Mediterrâneo.
Combinação de fotos mostra imigrantes pulando de um barco durante naufrágio antes da chegada do resgate pelos navios 'Bettica' e 'Bergamini' da marinha italiana na costa da Líbia (Foto: Marinha italiana/Divulgação via Reuters)Combinação de fotos mostra imigrantes pulando de um barco durante naufrágio, na quarta-feira (25), na costa da Líbia (Foto: Marinha italiana/Divulgação via Reuters)
"Até o momento, 2016 está sendo um ano particularmente fatal", afirmou o porta-voz do Acnur, William Splinder, sobre as viagens dos imigrantes que tentam chegar à Europa cruzando o Mediterrâneo.

Quase 46 milhões vivem regime de escravidão no mundo, diz relatório

Brasil, com 161 mil, aparece na 151ª posição em ranking com 167 países.

Índice Global da Escravidão é feito pela ONG Walk Free Foundation.

Thiago ReisDo G1, em São Paulo
Brasil tem 161 mil 'escravizados', estima ONG internacional de direitos humanos (Foto: Sérgio Carvalho/Arquivo pessoal)Brasil tem 161 mil 'escravizados', estima ONG internacional de direitos humanos (Foto: Sérgio Carvalho/Arquivo pessoal)
Ao menos 45,8 milhões de pessoas vivem hoje uma situação de escravidão moderna no mundo, revela um relatório da ONG Walk Free Foundation, que será divulgado na noite desta segunda-feira (30) e ao qual o G1 teve acesso.
OS CINCO PAÍSES COM O MAIOR PERCENTUAL DE 'ESCRAVOS'
PAÍSNº DE PESSOAS% DA POPULAÇÃO
Coreia do Norte
1,1 milhão
4,4
Uzbequistão
1,2 milhão
4,0
Cambodia
256,8 mil
1,6
Índia
18,4 milhões
1,4
Catar
30,3 mil
1,4
O Índice Global da Escravidão estima que o Brasil tenha 161 mil pessoas em condições análogas à de escravos. Proporcionalmente à população, o país tem uma incidência baixa (0,078%), melhor que a de seus vizinhos. Levando em conta o indicador, figura apenas na 151ª posição entre 167 nações ao redor do globo. Nas Américas, fica atrás apenas de EUA e Canadá.
Cinco países do mundo (Índia, China, Paquistão, Bangladesh e Uzbequistão) comportam 58% do total de “escravizados”. Somente a Índia abriga 18,4 milhões de pessoas em situação de escravidão.
Em termos proporcionais, quem encabeça o ranking é a Coreia do Norte. A estimativa é que 1 em cada 20 pessoas, aproximadamente, esteja nessa situação no país asiático (1,1 milhão no total). O relatório ainda faz uma ressalva de que se trata de um número “conservador”, já que as informações no país são difíceis de verificar. “Há evidência de que há cidadãos submetidos a trabalhos forçados pelo Estado, incluindo prisioneiros políticos. E relatos dão conta de que indivíduos são forçados a trabalhar por longas horas no campo e nos setores de construção, mineração e vestuário, com punições duras para os que não cumprem determinadas metas.”
Segundo o relatório, estudos mostram que a pobreza e a falta de oportunidade desempenham um papel importante no aumento da vulnerabilidade à escravidão moderna. “Eles também apontam para desigualdades sociais e estruturais mais profundas que permitem que a exploração persista, como a xenofobia, o patriarcado, as castas e as discriminações de gênero.”
Relatório diz que Brasil é um dos países que têm enfrentado o problema (Foto: Sérgio Carvalho/Arquivo pessoal)
Relatório diz que Brasil é um dos países que
têm enfrentado o problema (Foto: Sérgio Carvalho/
Arquivo pessoal)
O presidente da Walk Free Foundation, Andrew Forrest, diz que “a escravidão é repugnante, mas totalmente evitável”. “Diferentemente de grandes epidemias mundiais, como a malária e a Aids, a escravidão é uma condição humana criada pela própria humanidade. E é preciso acabar com ela, não permitindo que as gerações futuras cedam a essa prática hedionda.”
O fundador da ONG afirma ainda que está nas mãos de líderes de todos os segmentos mudar esse quadro. “Líderes das principais economias mundiais – Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Brasil, Itália, Rússia e Índia – precisam fazer com que o mundo dos negócios se importe com essa questão, exigindo, por meio de leis, foco na transparência da cadeia de produção de todos os bens e serviços importados ou vendidos em seus países. O Brasil foi um dos primeiros líderes neste campo, pioneiro”, diz Forrest, fazendo referência à "lista suja" do trabalho escravo, que reúne empregadores flagrados utilizando mão-de-obra escrava. O Reino Unido, que promulgou o chamado 'Modern Slavery Act 2015', também é citado como exemplo a ser seguido.
Brasil
Apesar de proporcionalmente à população o Brasil ter uma incidência mais baixa que países como Portugal, República Tcheca, Itália e até Finlândia, em números absolutos o país está na 41ª posição – isto é, longe de erradicar a prática.

Numa escala de 0 a 100, o país aparece com 56,85 no quesito “resposta governamental” à prática (quando há serviço de apoio a vítimas, criminalização dos infratores e outras políticas adotadas). O relatório diz que, se for levado em conta o PIB per capita, a atuação do Brasil no combate à escravidão moderna merece destaque. “Filipinas, Geórgia, Brasil, Jamaica e Albânia estão fazendo grandes esforços, apesar de terem relativamente menos recursos que países mais ricos”, diz a ONG.
Dados do Ministério do Trabalho mostram que, em 20 anos, quase 50 mil trabalhadores já foram libertados no Brasil pelos grupos móveis de fiscalização.  Os grupos atuam desde 1995. As equipes são compostas de auditores fiscais, procuradores do Trabalho e policiais federais ou rodoviários federais e viajam para realizar as blitzes para evitar pressões de grupos políticos e empresariais em fiscais locais. Uma página especial mostra um raio X do problema no país.
No Brasil, o Código Penal define uma pena de reclusão de dois a oito anos e multa para quem “reduz alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto”.
Apesar de elogiar a atuação do Brasil, o relatório da Walk Free Foundation critica a suspensão, no final de 2014, da "lista suja" pelo Supremo Tribunal Federal. A divulgação dos nomes só foi liberada pelo STF nesta semana.
Mapa mostra prevalência da escravidão; quanto mais escura a cor, maior o índice (Foto: Reprodução/Walk Free Foundation)Mapa mostra prevalência da escravidão moderna; quanto mais escura a cor, maior o índice (Foto: Reprodução/Walk Free Foundation)
O índice
Como as definições de escravidão variam de lugar para lugar (desde trabalho forçado e tráfico humano a casamento forçado), o relatório leva em conta todas as situações de exploração que uma pessoa não é capaz de se livrar, em razão de ameaça, violência, coação ou abuso de poder.

A Walk Free Foundation utiliza diversas variáveis para estabelecer os indicadores de prevalência, vulnerabilidade e de resposta por parte dos governos. Para chegar ao número de escravizados, por exemplo, foram feitas mais de 42 mil entrevistas em 53 idiomas diferentes pelo mundo. As estimativas são baseadas nos resultados dessa pesquisa (extrapolados para países com equivalentes perfis de risco). A metodologia foi desenvolvida por um grupo de trabalho formado por peritos independentes e reconhecidos mundialmente.
O índice, segundo a ONG, tem como objetivo se tornar “uma ferramenta para que os cidadãos, organizações não governamentais, empresas e funcionários públicos entendam o tamanho do problema e os fatores que contribuem para que ele exista e possam defender e construir políticas sólidas para erradicar a escravidão moderna”.
Essa é a terceira edição do Índice Global da Escravidão. Na primeira, em 2013, a estimativa girava em 29,8 milhões de escravos no mundo. O relatório completo pode ser acessado no site.
Brasil figura na 151ª posição entre 167 países no que diz respeito à prevalência da escravidão moderna (Foto: Sérgio Carvalho/Arquivo pessoal)Brasil figura na 151ª posição entre 167 países no que diz respeito à prevalência da escravidão moderna (Foto: Sérgio Carvalho/Arquivo pessoal)

NOSSO SILÊNCIO OU NOSSA VOZ?


DECLARAÇÃO DOS PRESBÍTEROS DA REGIÃO EPISCOPAL NOSSA SENHORA DA PALMA – SERRA SOBRE O MOMENTO ATUAL
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NOSSO SILÊNCIO OU NOSSA VOZ?
“Ninguém pode exigir de nós que releguemos a religião a uma intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social, sem nos pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos” (Papa Francisco, EG, nº183).
Nós, Presbíteros da Região Episcopal Nossa Senhora da Palma – Serra, da Arquidiocese de Fortaleza, reunidos no último dia 25 de maio, para uma de nossas habituais reuniões do Clero da região, decidimos dizer uma palavra de preocupação, solidariedade e discernimento diante dos acontecimentos dos últimos dias, particularmente.
Acompanhamos indignados e com nossas orações o que, especialmente aconteceu no interior de nossos presídios cearenses, onde houve rebeliões e mortes de irmãos presidiários. O que acontece é reflexo de um sistema prisional falido, que há muito tempo não ressocializa, não reeduca, onde nossos presos não são tratados como pessoas com dignidade.
Repudiamos a mentalidade punitiva, reforçada pela mídia, que impera em nossa sociedade claramente manifesta em falas do senso comum e de pessoas sem um sadio espírito crítico quando admitem que “bandido bom é bandido morto!”.
Discordamos da posição equivocada de muitos que admitem que a simples construção de mais penitenciárias seja a solução inteligente e eficaz para resolver o problema da violência e da superlotação de nossas cadeias.
Rejeitamos a maneira como nossos irmãos presos são tratados, a lentidão de um Estado que não se apressa em atender aos direitos básicos dos presidiários e daqueles que trabalham no sistema prisional, como os agentes penitenciários. Não concordamos que a simples política de encarceramento resolva substancialmente a situação de violência e de insegurança em nossas cidades, sejam elas grandes ou pequenas, do Interior – como as cidades do Maciço de Baturité – ou a própria Capital.
Qualquer intervenção cogitada, nessa hora de tensão, desespero e situação-limite que não leve em conta a integridade do presidiário, o direito da família de visitá-lo no encarceramento, a urgente revisão de seus processos, é preocupante e lamentável.
Como Igreja, associamo-nos a todos que de maneira sincera e solidária se colocam na procura incansável do bem comum e diminuição das injustiças, no reconhecimento dos direitos de todos seja em qual situação estiver. Por isso, aqui, manifestamos nossa solidariedade e orações pelos irmãos presidiários, assim como Professores e Professoras da Rede Estadual de Ensino que se encontram em greve lutando por uma escola gratuita e de qualidade, também pelas ocupações de alunos/as em muitas escolas cearenses que se somam a esses lutadores, na consciência de que somente uma escola com as demandas reclamadas atendidas é que se tem de fato a possibilidade de uma educação melhorada.
Ainda nos preocupa e não podemos nos calar diante da realidade de um Governo Interino no País, que na ânsia de equilíbrio das contas e em nome de um ajuste fiscal, retire direitos conquistados pelos trabalhadores/as. A solução não pode ser atendendo à lógica do mercado e interesses de partidos, porque isso se desvia do caminho da justiça. E, como nos afirma o Catecismo da Igreja Católica, “o primado da lei do mercado vai contra a justiça social” (nº 2425).
Convidamos todas as nossas Comunidades Paroquiais, no Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, a fazermos a experiência de abrir o coração àqueles que vivem nas variadas periferias (…), porque somos chamados a cuidar das feridas de nossos irmãos, aliviar sua dor com o óleo da consolação e ter misericórdia (cf. Misericordiae Vultus, nº 15).
Inspiremo-nos, nesta hora, nas palavras do Profeta Amós: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24). Que a gente não tenha uma fé cômoda e individualista e que Nossa Senhora da Palma, mãe e padroeira desta Região Episcopal, ajude-nos em nosso evangélico compromisso de promoção e de defesa da vida.
 Redenção, 25 de maio de 2016.
 Pe. Luiz Abner Cavalcante de Almeida, Pároco de Acarape e Vigário Episcopal
Pe. Antonio Claudio Pereira de Oliveira, Pároco de Aratuba
Pe. Francisco Maurício Lopes da Silva, Pároco de Ocara
Pe. José Benício Nogueira, Pároco de Baturité
Pe. José Linhares Arcanjo, Pároco de Antonio Diogo (Distrito de Redenção)
Pe. Marco Antonio dos Santos Brito, Pároco de Pacoti
Pe. Marco Antonio Freitas Maciel, Pároco de Mulungu
Pe. Raimundo Maciel Gomes, Pároco de Palmácia
Pe. Frei Gilberto Siqueira Alves, Pároco de Guaramiranga
Pe. Rodrigo Almeida de Castro, Pároco de Ideal (Distrito de Aracoiaba)
Pe. Francisco Moreira da Silva Neto, Pároco de Putiú – Baturité
Pe. Raimundo Nonato da Silva, Pároco de Redenção
Pe. Evando Alves de Andrade, Pároco de Aracoiaba
Pe. João Bosco Porfírio Rodrigues, Pároco de Barreira
Pe. Francisco Dácio Albuquerque Araújo
Pe. Moacir Cordeiro Leite

Roda de Conversa sobre Saneamento Básico, no Passeio Público


A Equipe de Animação das Campanhas e a Cáritas Arquidiocesana de Fortaleza convidam as Regiões Episcopais, Pastorais, Movimentos, Associações, Entidades, Organizações Religiosas, Ecumênicas, Ecológicas, ONG´s para uma RODA DE CONVERSA com o objetivo de refletir alternativas, a partir da partilha de experiências sobre o cuidado e responsabilidade com a Casa Comum com o foco no Saneamento Básico.
Data: 10 de junho de 2016, sexta-feira, das 14 às 17 horas.
roda_de_conversa
Local: Passeio Público de Fortaleza (em frente à Santa Casa de Misericórdia)
Informações: (85) 3388-8701; 3388-8723; 3388-8716.

VISITAÇÃO DE NOSSA SENHORA


brendan_No dia 31 de maio, a Igreja Católica celebra a Visitação de Nossa Senhora a sua prima Isabel, grávida de seis meses (cf. Lc 1, 36). Este acontecimento é no mínimo  estranho e não é de fácil compreensão. Maria estava grávida e partiu para uma longa e difícil viagem de Nazaré na Galileia, até Ain Karin, na Judéia, onde morava Isabel cento e cinquenta quilômetros de distância. Quando Nossa Senhora saudou Isabel, “a criança pulou de alegria em seu ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo” (Lc 1, 41). Essa criança que estava no ventre de Isabel era João Batista, primo de Jesus e teve, sem dúvida, sua vida marcada pelo seu encontro com o Verbo Incarnado.

Este estremecimento da criança no ventre de Isabel é o gesto de reconhecimento de que Maria era, literalmente, portadora de Deus. Isabel ficou cheia do espírito Santo e reconhece a Mãe do Salvador. Com um grande grito Isabel exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre”. Sempre que rezamos a oração da Ave Maria, repetimos as palavras de Isabel e reconhecemos Maria como Mãe de Deus. Maria por sua vez agradeceu a Deus com as palavras:  “A minha alma agradece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para  a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada”.
Por que Maria visitou Isabel fazendo aquela longa viagem num estado de gravidez? Sem dúvida foi um gesto de solidariedade, um ato de caridade e, sobretudo um ato de amor e profundo respeito para sua prima. Porém, alguns autores contemporâneos afirma que a visitação foi um gesto de santificação do nome de Deus, “pois Deus é santificado em cada gesto de amor e solidariedade”.  É o Deus da Vida que se manifesta hoje na festa da Visitação de Nossa Senhora. Esta festa litúrgico-mariana na Igreja Católica realmente apresenta o mistério da salvação que redundou em dons celestes, quando a santíssima Virgem, na força do Espírito Santo e grávida do Verbo Divino, visitou sua prima Isabel. Na ocasião Maria  esboça o mistério da salvação em que Deus “visitou e   redimiu seu povo” (Lc 1, 68). Na festa de hoje, temos a honra e o prazer de receber a visita da Mãe de Deus trazendo seu divino Filho. Cada vez que rezamos a Ave Maria nos lembramos desta visita entre as duas primas.
Pe. Brendan Coleman Mc Donald


TST: concurso nacional para magistratura trabalhista

O Pleno do Tribunal Superior do Trabalho aprovou na segunda-feira (23), por maioria, a Resolução Administrativa 1825/2016, que cria e regulamenta o  concurso nacional de ingresso à magistratura trabalhista. Elaborada por uma comissão presidida pelo ministro João Oreste Dalazen, a resolução prevê a realização do concurso em seis etapas, ou provas, e amplia a nota de corte, que passa a corresponder a cinco vezes o número de candidatos inscritos.

As etapas preveem provas objetiva, discursiva e prática (sentença), de caráter classificatório e eliminatório; sindicância de vida pregressa, investigação social e exame de sanidade física e mental, eliminatórias; prova oral, classificatória e eliminatória; e avaliação de títulos, classificatória.

Na proposta adotada pelo Pleno, a comissão assinala a conveniência de que as instruções para o concurso destinado ao provimento de cargos de juiz do trabalho substituto guardem uniformidade em todo o território nacional, "principalmente no que diz respeito à preparação jurídica dos futuros magistrados, para garantir-lhes elevado grau de qualificação intelectual e profissional". Os concursos reservarão 20% das vagas para pessoas negras e 5% para pessoas com deficiência.

O concurso nacional será realizado pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho (Enamat), por meio de convênios com os Tribunais Regionais do Trabalho. A organização estará a cargo de uma Comissão Executiva Nacional e por comissões examinadoras nacionais.
TST

Bispos pedem que leigos não sejam espectadores ante casamento gay no México

Imagem referencial / Bandeira gay. Foto: Flickr Emma (CC BY 2.0)

Cidade do México, 30 Mai. 16 / 09:00 pm (ACI).- Os bispos do México apelaram à “responsabilidade dos leigos” católicos, a fim de que não fiquem somente no papel de espectadores ante a proposta do presidente do país, Enrique Peña Nieto, de legalizar o casamento e a adoção gay.

Em um comunicado publicado no dia 24 de maio, a Comissão Episcopal para a Família, Juventude, Adolescentes, Leigos e Vida da Conferência do Episcopado Mexicano (CEM) exortou os leigos a assumir sua responsabilidade na sociedade “a fim de que sejam tomados em conta no desenho das políticas públicas e especialmente em assuntos de tanta transcendência como são o casamento e a família”

Em 17 de maio, Enrique Peña Nieto anunciou que promoveria uma modificação na Constituição para abrir as portas ao casamento gay no México, ao mesmo tempo que procurará mudanças no Código Civil Federal que permitam aos casais homossexuais adotar crianças.

“Os crentes são também cidadãos, que não podem seguir como espectadores contemplando a decadência de uma sociedade sem rumo, mas pelo contrário, devem promover uma cultura que reflita nas leis o respeito à visão e cultura própria da nossa Nação”, assinalaram os bispos.

“Todos somos membros de uma família de sangue. Todos fazemos parte da família humana. Acolhidos no olhar e no seio materno de Santa Maria de Guadalupe, conscientes do chamado à santidade, procuremos e vivamos este chamado no matrimônio e na família”, assinalaram.

Os bispos mexicanos recordaram que o Papa Francisco, em sua exortação apostólica Amoris Laetitia, assinalou que não existe nenhum fundamento para “assimilar ou estabelecer analogias, nem sequer remotas, entre as uniões homossexuais e a família”.

Nesse documento, o Santo Padre qualificou também de “inaceitável” que “as igrejas locais sofram pressões com relação a este assunto e que os organismos internacionais condicionem a ajuda financeira aos países pobres à introdução de leis que instituam o casamento entre pessoas do mesmo sexo”.

A comissão da CEM sublinhou que “foi confirmado e aprofundado ante o mundo contemporâneo a visão cristã da Igreja Católica sobre o matrimônio e a família assim como o valor sagrado da vida”.

“A Igreja reitera a beleza da sexualidade no amor”, recordaram os bispos e assinalaram que também “proclama com gozo que Deus criou o ser humano como homem e mulher e os abençoou para que formassem uma só carne e transmitissem a vida”.

Esta “diferença sexual, na dignidade pessoal igual”, explicaram, “é o sinal da bondade da criação de Deus”.

O CULTO DA IGREJA PRIMITIVA



COMO SERIA O CULTO que os verdadeiros cristãos devem prestar a Deus? Com o crescimento de centenas de seitas ditas “cristãs” no Brasil, vemos a soberba de muitos que afirmam que o culto que eles prestam é o único verdadeiro, pois seria o mesmo culto que os primeiros cristãos tributavam a Deus, – tudo supostamente confirmado, como de costume, pela Bíblia Sagrada. – Será?
Seria verdadeiro o argumento dos que se intitulam, a si mesmos, “evangélicos”? Muitos dentre estes também afirmam que a Missa católica é uma “invenção” humana, que Deus não ouve nem aceita, e que, é claro (e só para nãovariar), não teria “base bíblica” . Alguns chegam ao extremo de dizer que se trata de um sacrifício paganizado.
Para descobrir a verdade dos fatos, analisemos brevemente, juntos, a História da Igreja, para descobrir que tipo de culto e quais ritos os primeiros cristãos prestavam a Deus. – Pelo testemunho bíblico, sabemos que a Igreja primitiva seguia a doutrina e a sagrada Tradição dos Apóstolos, observando o Mandamento direto do Senhor: “Fazei isto em memória de mim. Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciareis a minha morte, e confessareis a minha ressurreição” (1 Cor 11,26).
Adverte também Jesus no Evangelho segundo S. João “Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos” (Jo 6, 53).
Na Comunhão do Pão e na oração perseveravam os primeiros cristãos após a Ressurreição do Cristo, que formavam o corpo da Igreja primitiva (conf. At 2, 42), já celebrando os santos Mistérios Sacramentais. Sabemos que no inicio do século II usavam a Disciplina do Arcano, com os Mistérios sendo celebrados secretamente para que não se paganizassem e se mantivessem vivos e puros no seio da Igreja. O serviço litúrgico era realizado em casas de membros da comunidade ou em lugares ocultos, como porões e catacumbas, devido à perseguição romana: nos tempos primitivos, muitos Apóstolos ministraram a Liturgia em suas casas, edificações conhecidas comoDomus Eclesiae, que mais tarde viriam a se tornar Domus Dei, isto é, edifícios construídos exclusivamente para o culto cristão.
No primeiro dia depois do sábado, o “Dia do Senhor” (Ap 1,10), quando S. Paulo diz para partir o Pão (At 20,7), os cristãos cultuavam a Deus mais frequentemente. Faziam a leitura dos Profetas e das Epístolas, as cartas dos Apóstolos às primeiras comunidades da Igreja, suas primeiras paróquias e dioceses. Essas leituras eram explicadas e meditadas em grupo: tratava-se da homilia, do latim, que deriva do grego ὁμιλία e quer dizer discurso, instrução ou conversa, e se traduz numa pregação em estilo simples e quase coloquial do Evangelho e das leituras do dia. Vejamos o que dizem os Pais Apostólicos da Igreja, em registros dos séculos I e II dC:
“No chamado ‘Dia do Sol’ (domingo –sun-day), todos os fiéis das vilas e do campo se reúnem num mesmo lugar: em todas as oblações que fazemos, bendizemos e louvamos o Criador de todas as coisas, por Jesus Cristo, seu Filho, e pelo Espírito Santo”.
(S. Justino Mártir, nascido em 103 dC, filósofo pagão convertido, tornado sacerdote e martirizado, contemporâneo de Simeão, – que ouviu Nosso Senhor Jesus Cristo, – e de Sto. Inácio, Clemente, – companheiro do Apóstolo Paulo, – de Potino e de Irineu, discípulos de Policarpo)
Sobre a reunião dos primeiros cristãos para culto, ele mesmo descreve:
“Lêem-se os escritos dos profetas e os comentários dos apóstolos. Concluídas as leituras, o sacerdote faz um discurso em que instrui e exorta o povo a imitar tão belos exemplos. Em seguida, nos erguemos, recitamos várias orações, e oferecemos pão, vinho e água. O sacerdote pronuncia claramente várias orações e ações de graças, que são acompanhadas pelo povo, com a aclamação Amem! Distribuem-se os dons oferecidos, comunga-se desta oferenda, sobre a qual pronunciara-se a ação de graças, e os diáconos levam esta Comunhão aos ausentes. Os que possuem bens e riquezas dão uma esmola, conforme sua vontade, que é coletada e levada ao sacerdote que, com ela, socorre órfãos, viúvas, prisioneiros e forasteiros, pois ele é o encarregado de aliviar todas as necessidades. Celebramos nossas reuniões no ‘Dia do Sol’, porque ele é o primeiro dia da criação em que Deus separou a luz das trevas, e em que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos”.

Capela de Santo Ananias – Damasco (Síria), construída no século 1 dC, éexemplo de uma das primeiras casas de culto cristão. Mais que uma reunião de irmãos para louvar a Deus e ler a Bíblia, o centro do culto era a Eucaristia
Outro atestado é o de Sto. Inácio de Antioquia, (†110) terceiro bispo de Antioquia, sucessor de S, Pedro e de Evódio, contemporâneo dos Apóstolos quando criança, que declarou ter visto Nosso Senhor ressuscitado; ele conheceu pessoalmente S. Paulo e S. João Evangelista. Sob o imperador Trajano, foi preso e conduzido a Roma, onde morreu devorado por leões, no Coliseu. A caminho de Roma, escreveu cartas às comunidades da Igreja em Éfeso, Magnésia, Trales, Filadélfia, Esmirna e ao bispo São Policarpo de Esmirna. Apresenta alguns detalhes sobre a oblação da Eucaristia, na sua primeira carta aos cristãos de Esmirna (leia aqui). Nesta, ficou registrada por escrito, pela primeira vez (ao menos num documento que tenha chegado ao nosso conhecimento), a expressão “Igreja Católica”.
“Abstêm-se eles da Eucaristia e da oração, por que não reconhecem que a Eucaristia é Carne de nosso Salvador Jesus Cristo, Carne que padeceu por nos­sos pecados e que o Pai, em Sua Bondade, ressuscitou.”
(Epístola aos Esmirnenses: Cap. VII; Santo Inácio de Antioquia)
Sto. Ireneu de Lião, (130-202) eminente teólogo ocidental, confirma-nos o Sacrifício que era prestado pelos primeiros cristãos figurado no Sacrifício de Cristo. Em outra obra ele ressalta a importância e a transubstanciação na Eucaristia:
“(Nosso Senhor) nos ensinou também que há um novo Sacrifício da Nova Aliança, Sacrifício que a Igreja recebeu dos Apóstolos, e que se oferece em todos os lugares da Terra ao Deus que se nos dá em Alimento como Primícia dos favores que Ele nos concede no Novo Testamento. Já o havia prefigurado Malaquias. (…) O que equivale dizer, com toda a clareza, que o povo primeiramente eleito não havia mais de oferecer sacrifícios, senão que em todo lugar se ofereceria um Sacrifício puro, e que seu Nome seria glorificado entre as nações.”
(Adversus Haereses)
Outro Registro é o Didaqué (leia na íntegra aqui), catecismo cristão escrito por volta do ano 120 aD, antes do Evangelho segundo João e de outros livros no Novo Testamento da Bíblia, um dos mais antigos registros do cristianismo. Este também trata do culto cristão e da celebração dos primeiros crentes após transcrever regras a respeito da celebração da Eucaristia. Diz:
“Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em nome do Senhor, pois sobre isso o Senhor disse: ‘Não dêem as coisas santas aos cães'”.
(Didaqué, Cap. IX, Nº 5)
Também diz sobre a reunião dos crentes:
“Reúnam-se no Dia do Senhor para partir o Pão e agradecer, após ter confessado seus pecados, para que o Sacrifício seja puro.”
(Didaqué, Cap. XIV, nº 1)
O que têm em comum estes testemunhos do I e do II séculos? Por meio deles podemos observar que os primeiros cristãos perseveravam na Comunhão e na Celebração Eucarística, e todos comprovam a Liturgia católica como única herdeira da liturgia dos primeiros cristãos em suas reuniões, que no mínimo a partir do séc. III passou a ser conhecida pelo termo “Missa”, que procede do latim “mitere”, e significa “enviar”. Missa é o particípio que adquire sentido de substantivo: “missão”.
E como ficam os cultos daqueles alegados “cristãos” que atacam a santa Missa, e que não passam de simples reuniões para a leitura da Bíblia, – com a sua inevitável interpretação particular, que as próprias Escrituras condenam (2Pd 1,20), – canto de louvores e orações espontâneas? Como visto, estes sim, são totalmente carentes de embasamento histórico e bíblico!
Inscrição do sepulcro de uma mulher cristã da Igreja primitiva (séc. 6): “Aqui, descansa em paz Maxima, serva de Cristo, que viveu cerca de 25 anos (…) quando o senador Flavio Probus era o jovem cônsul. Ela morava com o marido há sete anos e seis meses. Foi amigável, fiel em tudo, bondosa e prudente.” Antes do início do texto, a cruz demonstra que se tratava de uma cristã. Hoje, algumas “igrejas” chegam a afirmar que a cruz não é símbolo cristão…
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Fontes e referência bibliográfica:
• STONE, Darwell. A History of the Doctrine of the Holy Eucharist, Oregon: Aeterna Press, vol.s 1/2, 2014.
• CECHINATO, Luiz. A Missa Parte por Parte, São Paulo: Vozes, 1991.
• PRADO, Alexandre de Castro. Considerações Sobre A Missa No Séc. II segundo S. Justino, São Paulo: USP, 2011.
www.ofielcatolico.com.br