Padre Geovane Saraiva*
A vida é um mistério belíssimo, de tão extraordinária que é Deus quis que existíssemos por sua vontade, numa estreita e íntima
relação terna, afetuosa e paternal, entre nós e Deus. A iniciativa, neste
contexto, de nos convidar para uma realidade profundamente harmoniosa, parte
dele: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém escutar a minha voz e abrir a
porta, entrarei em sua casa e cearei como ele, e ele comigo” (Ap 6, 30-31). Da
nossa parte, temos como tarefa reavivar o entusiasmo, dom e graça do nosso bom
Deus, por tudo que dele provém, não o decepcionando durante a vida.

Como nos deixou sensibilizados e edificados o Sumo Pontífice, na sua viagem à Terra Santa,
como peregrino da concórdia e da paz, nos gestos grandiosos e magnânimos.
Dentro do plano salvífico de Deus ao salvar a humanidade, após visitar o lugar de batismo de Jesus, em Betânia no além Jordão, Francisco escreveu uma dedicatória do próprio punho no Livro de Honra,
a saber: “Despojados a alma e os pés se aproximaram do batismo doze tribos de Israel; Peço a Deus onipotente e misericordioso Que nos ensine a todos a caminhar na
sua presença com a alma e os pés descalços e o coração aberto à misericórdia
divina no amor pelos irmãos. Assim, Deus será tudo em todos e reinará a paz. Obrigado
por oferecerem à humanidade este lugar de testemunho".
“Que alegria quando ouvi que me
disseram: Vamos à casa do senhor. Jerusalém, cidade bem edificada num conjunto
harmonioso; para lá sobem as tribos de Israel, as tribos do Senhor” (Sl 121,
1-2). Que a humanidade deixe de lado o indiferentismo, para que, associada e sensibilizada
com a força figura humana de Francisco, tenha sempre diante dos olhos, na
mente e no coração suas palavras seguras e proféticas: “Não nos cansemos de
buscar a paz, disse ao Presidente de Israel, Shimon Peres. A construção da
paz exige, antes de qualquer coisa, o respeito pela liberdade e a dignidade de
cada pessoa humana. Renovo os meus votos de que se evitem, por parte de todos,
iniciativas e ações que contradizem a declarada vontade de chegar a um
verdadeiro acordo e de que não nos cansemos de buscar a paz com determinação e
coerência”.
Deus nos dê sempre mais a graça de
aprender com o Papa Francisco, quando afirmou que o conflito é inaceitável, também nas palavras conjuntas dele e do Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I,
suplicando a unidade: "Mesmo sendo plenamente conscientes de não ter
alcançado a meta da plena comunhão, confirmamos hoje nosso compromisso de
avançar juntos para aquela unidade pela qual Cristo Nosso Senhor orou ao Pai,
para que todos sejam um". Não podemos esquecer seu coração tomado de
sensibilidade diante do Muro das Lamentações: "Minha peregrinação não seria completa
se não incluísse também o encontro com as pessoas e as comunidades que vivem
nesta terra e por isto fico feliz de poder estar com vocês, amigos
muçulmanos", dirigindo-se ao líder religioso islâmico, Mohamed Hussein.
Os conflitos, a ausência de paz e de concórdia
perseguem a todos e a cada um, sem exceção. Peçamos a Deus que nos cumule de graças e virtudes indispensáveis, no sentido de vivermos o nosso batismo, despojando-nos do velho homem, inspirados na exortação do Apóstolo Paulo: “Tende vós os mesmos sentimentos que
Cristo Jesus teve: Ele que sendo de condição divina, não se apropriou ser igual
a Deus...” (cf. Fl 2, 5-15), tão bem representado pelo Santo Padre, na sua generosa
doação, constantemente ofertada ao mundo.
*Padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, colunista, blogueiro,
membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras
dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da Previdência
Sacerdotal - Pároco de Santo Afonso - geovanesaraiva@gmail.com
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