Padre Geovane Saraiva*
Da misteriosa encarnação,
compreendida aos olhos da fé, é que vem a inigualável energia para vencer e ultrapassar
todas as barreiras que contrariam a vontade de Deus: a energia do amor. Neste
tempo que antecede o Natal, estamos todos ansiosos pela chegada do Menino
Jesus, tão pequeno na gruta de Belém, e que entrou no mundo como uma criança
frágil, vivendo na sociedade de seu tempo, filho de Maria de Nazaré e do humilde
carpinteiro José, querendo, evidentemente, desmanchar o iceberg do orgulho e do
egoísmo, amparado pelo emblemático manto da ternura, da justiça e da paz.
Misteriosamente, sem que as pessoas conseguissem identificar em toda a sua
plenitude, Ele carregava consigo uma profunda impressão: a natureza divina – É
o Verbo de Deus que se encarnou e veio se estabelecer entre nós.[1]
No contexto da obra salvífica e
redentora do nosso bom Deus, mistério a dominar e encantar a história da
humanidade, somos convidados sempre mais a apreciar: “Ao nome de Jesus todo
joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame bem
alto, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é o Senhor”.[2] O Cardeal
Aloísio Lorscheider, no sentido profundamente belo quanto inefável, afirma, a
partir do mistério da encarnação do Filho de Deus, de um modo encantador e ao
mesmo tempo paradoxal, que “Jesus é a majestade divina despojada, aniquilada
por nós, é também a nulidade humana, em certo sentido, divinizada. Vemos o
nosso nada subir no trono de Deus, enquanto Deus desce às nossas manjedouras; e
quem realiza esse prodígio de onipotência, de amor, de glorificação e de
humilhação é Jesus”.[3]
O que o mundo propõe não deve ser
causa de alegria. Alegria de verdade encontramos no Evangelho como uma palavra
de ordem: “Eis que eu anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo”.[4] E qual é mesmo
a alegria no sentido mais profundo? “Encontramo-la no mistério da encarnação,
no nascimento do Filho de Deus. A nós, cristãos, cabe exultar e, ao mesmo
tempo, contemplar, associados aos anjos que povoaram os céus naquela noite
memorável, no inexprimível e misterioso coro: “Glória a Deus nas alturas e paz
na Terra aos homens de boa vontade”.
O Papa Francisco alimenta no mais íntimo do íntimo, no convite do apóstolo Paulo: “Alegrai-vos sempre no Senhor”.
O Senhor está próximo! Não é uma alegria superficial ou puramente emotiva, nem
sequer aquela mundana ou do consumismo, mas trata-se de uma verdadeira alegria,
da qual somos chamados a redescobrir o sabor”,[5] numa fervorosa
súplica, em que cesse a falta de amor, a insensibilidade e a indiferença por um
mundo mais inclusivo, segundo o desejo de Francisco. Assim seja!
*Pároco de Santo Afonso e vice-presidente da
Previdência Sacerdotal, integra a Academia Metropolitana de Letras
de Fortaleza - geovanesaraiva@gmail.com

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