segunda-feira, 28 de julho de 2014

A conivência de todos com as simulações

Juliano Paiva*
O Cruzeiro é com folga o melhor time do país na atualidade. Isso não é novidade. Novidade seria se comportamentos como o de Ricardo Goulart fossem punidos. O jogador celeste, um dos melhores do Brasileiro até aqui, cavou o pênalti que resultou no primeiro gol da vitória por 5 a 0.

Como o jogo acabou em goleada, há quem diga que a Raposa venceria de qualquer maneira. É provável que sim, apesar de que até aquele momento o Cruzeiro havia dado apenas um chute a gol e a defesa do Figueirense estava muito bem.

Mas “se” isso, “se” aquilo não contam. O certo é que Goulart tentou, e conseguiu, enganar o árbitro Gilberto Rodrigues Castro Júnior. O que mais se ouve nesse tipo de situação após o fato consumado é “o juiz estava mal colocado”, “ele precisa se reciclar”, “a CBF vai colocar o árbitro na geladeira”.

Ok! Que coloque! Mas o estranho é que pouco ou nada se fala do atleta que enganou o árbitro de maneira consciente e proposital, como fez Fred no jogo contra a Croácia na estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.


As questões que se colocam são simples. Vale se comportar como fizeram Fred e Ricardo Goulart? É ético? É do jogo? Penso que a resposta seja não para as três questões.

O problema é que a entidade que organiza o Campeonato Brasileiro, a CBF, parece não se preocupar com comportamentos do tipo. Pior. Ela se torna cúmplice da mentira ao produzir, no caso de Fred, um vídeo no qual o atacante tenta convencer a todos de que foi pênalti.

Mas Fred é mau ator. No campo e diante das câmaras. Como se viu no sábado, ele agora tem um concorrente de peso ao “Framboesa de Ouro”, Ricardo Goulart. E como em toda grande disputa por prêmios, pode ter certeza, outros tantos surgirão até o fim do Nacional. 




Juliano Paiva escreve toda segunda-feira no DomTotal.com

É jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007. 

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